Energia
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: O FUTURO PRECISA CABER NA REALIDADE
A transformação da matriz energética abre oportunidades importantes para o Brasil. Mas uma transição responsável precisa conciliar inovação, sustentabilidade, segurança energética, capacidade de investimento e realidade econômica.

O desafio não é escolher entre o presente e o futuro. É construir uma transição capaz de conectar os dois.
Poucos temas reúnem tanto consenso na intenção e tanta divergência na execução quanto a transição energética. Quase todos concordam que a matriz precisa evoluir. A discussão difícil começa quando se define o ritmo, o custo e quem sustenta a conta dessa mudança.
O Brasil parte de uma posição favorável nesse debate, com diversidade de fontes e vocação para novas soluções energéticas. Essa vantagem, porém, só se converte em resultado se a transição for planejada com atenção às condições reais de investimento, infraestrutura e consumo.
Transição não é interruptor
Mudanças estruturais em energia acontecem por camadas, não por decreto. Envolvem infraestrutura, logística, cadeia de fornecedores, capacidade técnica, financiamento e comportamento do consumidor. Ignorar esse encadeamento produz metas bonitas no papel e frustração na prática.
O desafio não é escolher entre o presente e o futuro, e sim conectar os dois.
Segurança energética é parte da agenda ambiental
Garantir abastecimento contínuo, a preços que a economia suporte, não é o oposto da agenda de sustentabilidade — é a base que permite sustentá-la ao longo do tempo. Uma transição que comprometa a segurança do abastecimento perde apoio social rapidamente, e transições sem apoio social não se completam.
Por isso, o setor produtivo precisa estar na mesa. Quem opera a distribuição, a revenda e a logística conhece as restrições concretas que separam um plano de sua execução, e essa informação é valiosa para que a política pública funcione.
Oportunidade, se for bem construída
Feita com planejamento, a transição pode gerar investimento, qualificação profissional, novos negócios e ganho de competitividade para o país. Feita apenas como discurso, tende a produzir custo sem transformação.
A escolha responsável é construir um caminho que caiba na realidade brasileira: ambicioso no destino, realista no percurso e transparente sobre o que cada etapa exige de todos.
PAULO TAVARES
Empresário e dirigente do setor de combustíveis. Presidente do Sindicombustíveis-DF, ex-vice-presidente da Fecombustíveis e diretor financeiro da FEBRASPETRO.