PAULO TAVARES
Ideias

Energia

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: O FUTURO PRECISA CABER NA REALIDADE

A transformação da matriz energética abre oportunidades importantes para o Brasil. Mas uma transição responsável precisa conciliar inovação, sustentabilidade, segurança energética, capacidade de investimento e realidade econômica.

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Retrato de Paulo Tavares de terno escuro

O desafio não é escolher entre o presente e o futuro. É construir uma transição capaz de conectar os dois.

Poucos temas reúnem tanto consenso na intenção e tanta divergência na execução quanto a transição energética. Quase todos concordam que a matriz precisa evoluir. A discussão difícil começa quando se define o ritmo, o custo e quem sustenta a conta dessa mudança.

O Brasil parte de uma posição favorável nesse debate, com diversidade de fontes e vocação para novas soluções energéticas. Essa vantagem, porém, só se converte em resultado se a transição for planejada com atenção às condições reais de investimento, infraestrutura e consumo.

Transição não é interruptor

Mudanças estruturais em energia acontecem por camadas, não por decreto. Envolvem infraestrutura, logística, cadeia de fornecedores, capacidade técnica, financiamento e comportamento do consumidor. Ignorar esse encadeamento produz metas bonitas no papel e frustração na prática.

O desafio não é escolher entre o presente e o futuro, e sim conectar os dois.

Segurança energética é parte da agenda ambiental

Garantir abastecimento contínuo, a preços que a economia suporte, não é o oposto da agenda de sustentabilidade — é a base que permite sustentá-la ao longo do tempo. Uma transição que comprometa a segurança do abastecimento perde apoio social rapidamente, e transições sem apoio social não se completam.

Por isso, o setor produtivo precisa estar na mesa. Quem opera a distribuição, a revenda e a logística conhece as restrições concretas que separam um plano de sua execução, e essa informação é valiosa para que a política pública funcione.

Oportunidade, se for bem construída

Feita com planejamento, a transição pode gerar investimento, qualificação profissional, novos negócios e ganho de competitividade para o país. Feita apenas como discurso, tende a produzir custo sem transformação.

A escolha responsável é construir um caminho que caiba na realidade brasileira: ambicioso no destino, realista no percurso e transparente sobre o que cada etapa exige de todos.

PAULO TAVARES

Empresário e dirigente do setor de combustíveis. Presidente do Sindicombustíveis-DF, ex-vice-presidente da Fecombustíveis e diretor financeiro da FEBRASPETRO.

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