Ambiente de negócios
O CUSTO INVISÍVEL DE FAZER NEGÓCIOS NO BRASIL
Nem todo custo de uma empresa aparece em uma nota fiscal.

Burocracia, complexidade tributária, insegurança jurídica, obrigações regulatórias e tempo gasto para cumprir exigências também consomem recursos.
Quando produzir se torna mais difícil e caro, os efeitos podem alcançar investimentos, empregos, competitividade e consumidores.
Toda empresa convive com dois tipos de custo. O primeiro é o custo que se enxerga: mercadoria, salários, energia, aluguel, manutenção, tributos lançados. O segundo é o custo que não aparece em nenhuma linha do balanço com esse nome — o tempo, a energia e a atenção gastos para cumprir exigências, interpretar regras e conviver com incertezas.
Esse segundo custo é silencioso, mas real. Ele aparece nas horas dedicadas a obrigações acessórias, nas revisões de procedimentos a cada mudança de norma, nas consultorias necessárias para não errar e nas decisões adiadas porque a regra de amanhã ainda não está clara.
Complexidade também é custo
Não é apenas a carga que pesa: é a complexidade. Regras dispersas, interpretações divergentes e obrigações sobrepostas exigem estrutura administrativa que nada acrescenta ao produto ou ao serviço oferecido ao cliente. Para grandes empresas, isso significa um departamento a mais. Para pequenos negócios, pode significar a diferença entre continuar ou fechar.
Quando produzir fica mais difícil, o efeito não para no empresário.
Segurança jurídica é ambiente de investimento
Investir é assumir risco com base em uma expectativa. Quando as regras mudam com frequência ou permitem leituras contraditórias, o risco deixa de ser apenas econômico e passa a ser normativo. Diante disso, muita gente escolhe o caminho mais prudente: esperar. E esperar, na prática, é deixar de contratar, de ampliar, de modernizar.
Previsibilidade não é um privilégio empresarial. É a condição que permite planejar, e planejamento é o que sustenta emprego formal, investimento de longo prazo e competitividade.
Simplificar é uma agenda concreta
Simplificar não significa desregular nem abrir mão de fiscalização. Significa eliminar redundâncias, reduzir exigências que não produzem resultado útil, uniformizar entendimentos e tornar o cumprimento das regras acessível a quem quer cumpri-las.
Um ambiente de negócios mais simples beneficia principalmente quem tem menos estrutura para lidar com a complexidade — o pequeno e o médio empresário. E, no fim da cadeia, beneficia também o consumidor, porque custo que não existe não precisa ser repassado.
PAULO TAVARES
Empresário e dirigente do setor de combustíveis. Presidente do Sindicombustíveis-DF, ex-vice-presidente da Fecombustíveis e diretor financeiro da FEBRASPETRO.